quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mercado de imóveis novos deve crescer 5%

Valor Econômico, Ana Luísa Westphalen, 12/jan

As vendas de imóveis residenciais novos na capital paulista devem crescer 5% em 2011, acompanhando o ritmo previsto para o PIB. A projeção é do Secovi-SP (Sindicato da Habitação). As vendas e lançamentos de unidades populares destinadas à classe média devem continuar em destaque, o que demandará cada vez mais agilidade na liberação do crédito, ressalta o economista-chefe da entidade, Celso Petrucci.
Já a comercialização de imóveis de luxo e daqueles voltados à classe média alta deve permanecer estável. Outra tendência é o aumento da oferta de imóveis residenciais e salas comerciais disponíveis para locação.
Ao fazer um balanço da década, o presidente do Secovi-SP, João Crestana, avalia que o Brasil passa por um momento de consolidação do crédito imobiliário como negócio, com a poupança e o FGTS apresentando bons indicadores de expansão. Para 2011, a entidade projeta que serão investidos mais de R$ 65 bilhões do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo.
Apesar do crédito em abundância este ano, o executivo afirma que o setor intensificará os debates com bancos públicos e privados e a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) para atrair novas fontes de recursos para a produção e aquisição de imóveis, com o objetivo de atrair o mercado de capitais e instrumentos de captação de mais longo prazo. A perspectiva é de esgotamento dos recursos da poupança para financiamento imobiliário em 2013, alerta ele
Sobre o programa Minha Casa, Minha Vida, que impulsionou a venda de imóveis em 2010, Crestana chamou atenção para a necessidade de readequação do valor limite dos imóveis enquadrados, atualmente de R$ 130 mil.
Outro desafio enfrentado pelo setor é a escassez de terrenos em condições favoráveis para a incorporação. "São Paulo vai ter de fabricar terrenos", disse Crestana, defendendo o aumento do coeficiente de aproveitamento dos terrenos na capital paulista. Isso é possível, por exemplo, com maior ocupação de áreas com infraestrutura instalada e ociosa, como a região central da cidade. Ele também espera que neste ano se invista mais na formação de mão de obra.

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Crédito será o gatilho para imóveis este ano

DCI, 13/jan

Imobiliárias e incorporadoras, como a Setin e a Lopes, apostam no aumento do crédito para impulsionar as vendas e acompanhar o crescimento, estimado em 18% para 2011 pela Setin. Imobiliárias e incorporadoras têm otimismo com relação às vendas deste ano, pois esperam aumento do financiamento para aquisição de imóveis em 2011.
O crédito imobiliário representará 11% do PIB em 2014. Atualmente, a participação deste tipo de crédito é 4%.
Em 2010 estima-se que 62% do valor dos imóveis foram financiados, de acordo com dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), apresentados ontem.
"Em 2010 alcançamos nossa meta de lançamentos, R$ 850 milhões, e já buscamos atingir R$ 1 bilhão este ano", afirmou Antonio Setin, vice-presidente do grupo. O aumento do crédito e as facilidades de financiamento também serão fator importante para que sejam comercializados todos os lançamentos. "O Brasil vive um bom período econômico, com confiança do consumidor em comprar, e com a economia estável, o que aumenta o crédito", continuou o executivo.
Na Lopes, a expectativa gerada pelo aumento do crédito também é motivo de ampliar os projetos para 2011. "Vamos entrar mais fortes e confiantes no mercado este ano, para melhorarmos nosso esquema de vendas, e conseguirmos usar o crédito disponível, iremos melhorar a distribuição de lançamentos, para que não fique tudo para o segundo semestre e, dessa forma, utilizarmos ao máximo o potencial brasileiro de comprar", afirmou Mirella Parnicelli, diretora de Atendimento da Lopes.
Para o especialista em mercado imobiliário e professor de Economia Imobiliária da Universidade Metodista, Ailton Bernardes, o número liberado pelo Secovi é o retrato de um quadro positivo, mas deve ser visto com cuidado. "A linha da economia imobiliária é tênue: é preciso calma antes de analisar [que ela é] como mar de rosas. As incorporadoras não podem sair lançando novos condomínios baseadas apenas no aumento do crédito, porque a demanda e a procura precisam manter uma proporção para não haver desvalorização, como sentimos no mercado de luxo em São Paulo", afirmou.
Em 2010, as vendas de imóveis novos na capital paulista atingiram 30,9 mil unidades entre janeiro e novembro, um desempenho bem próximo do atingido no ano de 2009, quando foram comercializados 30 mil imóveis, de acordo com o Secovi-SP.
De acordo com a entidade, o volume de vendas só não foi maior porque os empreendimentos novos não surgiram no mesmo ritmo. "Assim mesmo, estima-se que o ano de 2010 atingirá o volume aproximado de 36 mil unidades comercializadas", informou o Secovi-SP.
Entre janeiro e novembro de 2010 foram lançadas 30 mil unidades, segundo dados da Embraesp. Esta performance representa avanço de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram lançadas 25 mil unidades, mas ainda é inferior ao volume de comercialização registrado no ano.
A dificuldade das empresas de lançar novos empreendimentos se deve principalmente à escassez de terrenos em condições favoráveis de incorporação. "Hoje, precisamos rodar muito para encontrar um bom terreno, com condições adequadas, por isso a expansão para fora da região metropolitana é uma realidade, além da construção em massa de apartamentos menores em ruas não tão bem localizadas da região metropolitana", disse Parpinelli.
Ponto de equilíbrio
O mercado imobiliário de São Paulo já atingiu o ponto de equilíbrio em volume de vendas e preço, de acordo com João Crestana, presidente do Secovi-SP. A partir de agora, observa ele, o lançamento e as vendas de imóveis de luxo e dos voltados para a classe média alta deverão permanecer estáveis, enquanto as unidades populares destinadas à classe média continuam em destaque nas estatísticas.
Entretanto, o executivo alerta que haverá necessidade de maior agilidade na liberação do crédito, por parte dos bancos, e desenvolvimento de tecnologias construtivas e estratégias de marketing para conquistar o público. Pelos cálculos de Celso Petrucci, diretor do Departamento de Economia do Secovi, as vendas de imóveis na capital devem acompanhar o ritmo do PIB do País em 2011, crescendo 5%. Depois da forte alta apurada no ano passado - quando os indicadores chegaram a descolar da inflação -, Petrucci reafirma que os preços tendem a se estabilizar este ano.
Ao fazer um balanço da década, Crestana destacou que o ano passado consolidou o movimento de retomada - iniciado depois de superados os efeitos da crise financeira internacional do final de 2008 e início de 2009-, em que os compradores mantiveram o ritmo de compra, e os empresários, o de lançamentos. "O Brasil passa por um momento de consolidação do crédito imobiliário como negócio, e a poupança e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço apresentaram bons indicadores de incremento."
Região metropolitana
Na região metropolitana de São Paulo foram comercializados 58 mil imóveis novos de janeiro a novembro de 2010, de acordo com pesquisa. Deste total, 52,2% foram comercializados na capital. A pesquisa da entidade relativa às vendas na região foi iniciada em 2010, não havendo, portanto quadro comparativo com o mesmo período de 2009. No comparação mensal, as vendas registraram alta de 17% em novembro ante outubro, com a venda de 6,3 mil unidades na região.
Segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), os lançamentos, por sua vez, somaram 57 mil unidades no mesmo período, dos quais 30 mil (52%) se concentraram na capital. O Secovi observa que a região metropolitana poderá ultrapassar o recorde registrado em 2008, quando foram lançadas 63 mil unidades. Em 2009, a região lançou 53,5 mil unidades, das quais 59% estavam concentradas na capital.
Com a perspectiva do aumento do crédito imobiliário este ano, imobiliárias e incorporadoras como a Setin e a Lopes projetam maior impulso às vendas e crescimento de até 18% em 2011. Indicadores apontam que 62% do valor dos imóveis comercializados em 2010 foram financiados, diz o Secovi-SP.
"Em 2010 alcançamos nossa meta de lançamentos: R$ 850 milhões. Este ano já buscamos atingir R$ 1 bilhão", afirma Antonio Setin, vice-presidente do grupo que tem seu sobrenome. O aumento do crédito e as facilidades para financiamento empurram lançamentos. Na Lopes a expectativa é ampliar os projetos em 2011. "Vamos melhorar o esquema de vendas e a distribuição de lançamentos, para que não fique tudo para o segundo semestre", declara Mirella Parnicelli, diretora.
Já o professor de Economia Imobiliária da Universidade Metodista, Ailton Bernardes, diz que o quadro positivo deve ser visto com cuidado. "A linha da economia imobiliária é tênue, é preciso calma." Mas os índices são favoráveis: a venda de imóveis em São Paulo cresceu 27% em cinco anos. Em 2005 foram vendidas 28,3 mil unidades ante 30,9 mil vendidas de janeiro a novembro de 2010. A previsão é de o crédito imobiliário representar 11% do PIB daqui a três anos (2014). Hoje ele corresponde a 4%.

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Para não virar pesadelo minha casa minha vida

Meia Hora, 13/jan

Quem planeja comprar um imóvel que se encaixa no "Minha Casa, Minha Vida" deve ficar ligado para não tornar o sonho de ter um lar próprio em pesadelo. Isso porque muitos empreendimentos que se dizem enquadrados no programa do Governo Federal têm unidades que estão de fora do modelo. São habitações que custam acima de R$ 130 mil - valor máximo da moradia do "Minha Casa, Minha Vida".
Segundo Bruno Teodoro, diretor da Estrutura Consultoria e também correspondente imobiliário da Caixa Econômica Federal, os interessados em um imóvel pelo programa podem pedir às construtoras o laudo de avaliação da Caixa afirmando que o empreendimento está enquadrado no "Minha Casa, Minha Vida". "Atualmente, ninguém faz isso no estande e confia nas informações passadas pelos corretores. No nosso caso, como somos praticamente uma miniagência da Caixa, temos obrigação de informar se aquela unidade está enquadrada. Num empreendimento, nem todos os apartamentos estão inseridos no programa", orienta.
Por isso, é fundamental verificar a avaliação da Caixa. E também se a sua renda ultrapassa R$ 4.900 - valor máximo de salário para o programa. "Se isso ocorrer, o candidato perde os benefícios, como juros menores, subsídios de até R$ 23 mil, valor de seguros mais baixos, além da garantia de até 36 parcelas pagas em caso de demissão", lembra Teodoro.
Os contratos fora do programa são assinados com recursos da poupança (SPBE). Os juros variam de 7,9% a 10,5% ao ano, mais TR (Taxa Referencial).
O que vale é o valor de avaliação do imóvel feito pela Caixa
O valor de venda do imóvel não pode ser superior a R$ 130 mil, limite de avaliação da Caixa para o "Minha Casa, Minha Vida". A superintendente da instituição financeira no Rio, Nelma Tavares, aconselha que o interessado na casa própria não deve pagar a entrada antes de verificar s avaliação da Caixa, ter sua capacidade de pagamento analisada e averiguar juridicamente a situação do imóvel.
Nelma explica ainda que, para unidades que estão prontas, será preciso comprovar que o habite-se foi emitido até 26 de março de 2009. Para a compra de imóvel na planta, o empreendimento tem que estar avaliado e aprovado pela Caixa e ter o valor unitário de até R$ 130 mil (se for localizado no município do Rio).
Para as famílias com renda de até R$ 1.395, o acesso ao programa se dá por meio de cadastro nas prefeituras. A prestação é de 10% da renda familiar, com parcela mínima de R$ 50. 0 prazo de pagamento é de 10 anos. Os interessados não podem ter imóvel próprio e nem ter participado de outros programas habitacionais.
A renda máxima permitida é de R$ 4.900.0 financiamen¬to é de até 100%, dependendo do prazo e da capacidade de pagamento do comprador.

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

'Déficit de moradia acaba até 2017'

O Estado de São Paulo, FIABCI Brasil Informa, 11/jan

Em recente mesa-redonda na Fiabci/Brasil, sob o tema "Incorporação e Construção Imobiliária - Tendências para 2011", o diretor da "Odebrecht Realizações Imobiliárias", Paulo Melo, disse enxergar que o déficit atual de cerca de 8 milhões de moradias pode ser resolvido no Brasil até 2017. Sua palestra versou sobre perspectivas para 2011 no segmento de incorporação e construção. Meio lembrou que o déficit habitacional vem caindo rapidamente, em especial no Nordeste e no Sudeste, "graças às políticas afirmativas do Governo Lula", e deve cair mais ainda, pois a nova presidente, Dilma Rousseff, já acenou que manterá esse viés. A seguir, resumo de sua palestra.
"Há espaço para o setor imobiliário crescer em velocidade superior à do restante da economia, atingindo 7% do PIB em 2020. Em 2007, o investimento em moradias era de 165 bilhões de reais. Acreditamos atingir 324 bilhões em 2020 e 446 bilhões em 2030. Quanto ao crédito imobiliário, há uns três anos ele era de apenas 1,3% do PIB, já superou isso há algum tempo, e deveremos atingir cerca 6% do PIB em 2030. Alguns pontos positivos:
1 - Pela primeira vez, o Brasil conta com população em sua maioria composta por adultos jovens, em idade de formar famílias e comprar imóveis; 2 - Deve continuar o período de crescimento econômico iniciado em 2003, que, além de proporcionar aumento da renda, fomentando a demanda, cria condições para forte expansão do crédito e do investimento imobiliários; e 3 - Deve se consolidar a tendência de urbanização do País: em poucas décadas, mais de 90% de nossa população estarão concentrados nas cidades.
Obviamente, em 2011, deveremos ter ainda crescimento da taxa de juros, mas, no longo prazo, acreditamos que ela cairá, quando então os ativos imobiliários passarão a ser competitivos em relação a outros investimentos. Teremos também aumento do preço dos ativos imobiliários, dadas a maior liquidez financeira e a limitação natural de oferta de terrenos.
O compromisso com o meio ambiente é inadiável. Teremos a década da sustentabilidade, com intensificação da agenda "desenvolvimento vs meio ambiente". Algo que vai precisar ser enfrentado pela sociedade como um todo, dada a escassez de recursos como energia, água etc. As aprovações vão ser cada vez mais restritivas e com maior grau de atuação dos órgãos competentes.
O cenário é de novas demandas por infraestrutura urbana e de aumento da pressão por serviços públicos e investimentos via parcerias público-privadas. E aprovações vão ser cada vez mais restritivas e com maior grau de atuação dos órgãos competentes. E de desafios como não ficar atrás os avanços tecnológicos e superar a carência de mão de obra, principalmente a especializada. Teremos também maior grau de exigência e de consciência do adquirente: o item cliente vai demandar atenção cada vez mais intensa, sobretudo na questão ambiental.
E devemos considerar, ainda, como dado altamente positivo, os pontos catalisadores de grandes investimentos em infraestrutura como a Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016, o pré-sal etc. Há que considerar, também, os vários projetos de revitalização urbana em perspectiva. Tudo isso induz à demanda por moradias e por ativos imobiliários, e nos deixa otimistas em relação a 2011."

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Renda em alta e crédito facilitam troca de imóvel

Folha de São Paulo, Tatiana Resende, 12/jan

Crescimento econômico, elevação na renda, redução do desemprego e maior interesse dos bancos no financiamento habitacional dão ao consumidor a confiança de que o primeiro apartamento não precisará ser o último.
"Trocar de imóvel é sinal de amadurecimento do mercado", avalia Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Para Luiz Antônio França, presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), outro fator que deve impulsionar esse mercado é o aumento da mobilidade da população entre as cidades, com a diversificação de polos de trabalho no país.
Os números comprovam a expansão do financiamento imobiliário em 2010. Os empréstimos com recursos da poupança até outubro somaram R$ 44,9 bilhões, mais do que o dobro do valor contabilizado em todo o ano de 2007, de acordo com a Abecip.

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Apartamento de um quarto é tendência no mercado

Folha de São Paulo, Tatiana Resende, 12/jan

Seguindo as mudanças na sociedade, os imóveis que não têm divisória ou com apenas um quarto vêm ganhando espaço na preferência dos consumidores nas grandes cidades brasileiras. E a perspectiva é de ampliar essa participação.
Os dados sobre a maior dessas metrópoles, a capital paulista, já mostram essa tendência.
Segundo o Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo, a fatia das moradias de até um dormitório passou de 1,7% das vendas em todo o ano de 2007 para 9,7% em 2010, considerando os números até outubro.
Para João Crestana, presidente da entidade, esse tipo de imóvel alia a vontade de ter logo a casa própria às facilidades de financiamento.
O público inclui executivos, solteiros, recém-casados e aqueles que pretendem manter a família pequena.
Entre 1999 e 2009, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, houve uma ampliação na proporção de casais sem filhos, passando de 13,3% para 17,1% dos arranjos familiares no país.
Os investidores também estão de olho nesse nicho. "Um dormitório é o imóvel de aluguel por excelência", afirma Crestana.
LOCALIZAÇÃO
As moradias bem localizadas, perto de escolas, faculdades, estações de metrô e corredores de ônibus, são as opções preferidas dos estudantes, garantindo uma procura constante e a consequente valorização.
"É o que tem o maior número de pretendentes", afirma o presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), José Augusto Viana Neto.
Na opinião dele, a localização é tão importante para quem opta por esse tipo de apartamento -para comprar ou alugar- que não é raro os moradores se submeterem a condições não tão ideais.
"As pessoas ganham em qualidade de vida mesmo com o desconforto interno", diz, lembrando que até cidades de médio porte já apresentam problemas no trânsito, o que justifica a escolha.
LANÇAMENTOS
Nos lançamentos, o salto desse tipo de imóvel foi ainda maior entre 2007 e 2010, indo de 1,4% para 11,5% do total.
Os imóveis sempre foram um objeto de desejo, destaca Sandro Gamba, diretor da Gafisa, mas agora, com as facilidades de financiamento no mercado, "eles se tornaram muito mais líquidos [mais fáceis de vender]".
Para ganhar mercado, as construtoras e incorporadoras tentam vislumbrar esses anseios do consumidor.
"A velocidade de venda é maior para apartamentos menores", contabiliza Dora Szwarc Hamaoui, diretora de operações da PDG Realty.
Uma das estratégias das empresas para diminuir os riscos de empreendimentos com um quarto tem sido mesclar apartamentos com diferentes tamanhos e plantas flexíveis no mesmo prédio.
"O [imóvel] de um dormitório tem acabado mais rápido, mas o de dois é importante para o mix", avalia Maurício Barbosa, diretor de incorporação da CCDI (Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário).
Um exemplo do sucesso desse plano é o In Berrini, lançado em fevereiro passado, que teve as 216 unidades - 96 delas com um quarto- vendidas em apenas um dia.
O empreendimento tinha como público-alvo quem trabalha na região da avenida Luis Carlos Berrini, na zona sul da capital.
O bom desempenho motivou o lançamento, em dezembro, do In Jardim Sul, com todos os cem apartamentos de 49 metros quadrados vendidos já no primeiro final de semana.

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

IGP-M perde força e sobe 0,42%, metade do índice de dezembro

O Estado de São Paulo, Alessandra Saraiva, 11/jan

A inflação medida pela primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) perdeu força e subiu 0,42% em janeiro, quase a metade da taxa de 0,83% apurada em igual prévia em dezembro do ano passado.
Foi o menor resultado para o indicador em seis meses, beneficiado por commodities mais baratas no atacado, segundo informou ontem o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.
Mesmo com o recuo do indicador, usado para reajustar preços de aluguel, analistas alertam que janeiro contará com aumentos expressivos na inflação do varejo. O primeiro mês do ano abrange, historicamente, reajustes em preços administrados, como tarifas de ônibus; e problemas climáticos que prejudicam a oferta de alimentos, elevando preços.
O cenário de commodities mais baratas derrubou a inflação atacadista, que representa 60% do total do IGP-M, e recuou de 0,97% para 0,47% de dezembro para janeiro. Entre os exemplos citados pelo especialista da fundação estão bovinos (de 0,90% para -2,12%); e soja em grão (de 1,96% para 1,47%). "Essa desaceleração de preços de commodities já era meio esperada pelo mercado", disse Quadros, lembrando que os preços desse tipo de produto oscilam muito.
O bom comportamento nos preços das commodities não se restringiu apenas ao setor agropecuário. O setor industrial atacadista também contou com fortes desacelerações de preços, originadas das commodities, de acordo com Quadros.
Entre os destaques está o comportamento de materiais para manufatura, que fornecem insumos para a indústria e cuja variação de preços recuou de 1,97% para 0,34%, beneficiada por quedas de preços em produtos como celulose (1,98%).
O cenário de inflação mais fraca nos preços agropecuários atacadistas ajudou a conter o avanço de preços dos alimentos no varejo. A inflação percebida pelo consumidor, que representa 30% do IGP-M, desacelerou de 0,69% para 0,41% de dezembro para janeiro. Isso porque os preços de alimentação subiram menos, da primeira prévia de dezembro para igual prévia em janeiro (de 1,43% para 0,64%), principalmente por causa de repasses de quedas e desacelerações de preços em commodities agropecuárias atacadistas.
Já os preços na construção civil, que representam 10% do IGP-M, aceleraram de dezembro para janeiro (de 0,28% para 0,62%), por causa da mão de obra mais cara no período.
Juros. Para os analistas da consultoria Tendências, Thiago Curado e André Sacconato, janeiro será de inflação elevada no varejo, com alimentos mais caros e reajustes em tarifas de ônibus urbano e em mensalidades escolares. Já o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, acredita que a inflação mais pressionada no varejo deve prosseguir até o fim de fevereiro.
Campos Neto foi além e comentou que, por causa dos sinais de demanda ainda aquecida e das incertezas sobre a capacidade do novo governo de limitar o ritmo de gastos públicos, o Banco Central deve aumentar a taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Balanço do índice
0,42% foi o IGP-M em janeiro
0,83% foi o IGP-M em dezembro
60% dos preços do IGP-M são compostos por itens do atacado
0,47% foi o reajuste das commodities em janeiro, ante 0,97% em dezembro

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Caixa se apóia no Minha Casa, Minha Vida

Brasil Econômico, 03/jan

Além de ser líder no financiamento imobiliário, a Caixa Econômica Federal é o principal agente do programa federal "Minha Casa, Minha Vida". A atuação nesse segmento deve garantir, na avaliação de analistas, que a instituição tenha um crescimento superior ao registrado pelos demais grandes bancos públicos, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Para o analista da Austin Rating Luis Miguel Santacreu, a Caixa tem como diferencial o programa habitacional do governo federal, que, assim como foi com Lula, deve ser uma das principais bandeiras de Dilma Rousseff. "Isso pode fazer diferença no crescimento da carteira de crédito do banco", diz.
Dos R$ 162,780 bilhões da carteira da Caixa (dados de setembro), R$ 97,911 bilhões estão alocados no crédito imobiliário.
Embora forte nesse segmento, o analista reforça que a instituição terá pela frente a integração de operações com o Panamericano e, dessa forma, conseguir ganhos de sinergia com a aquisição da parcela de 36,6% realizada ao final de 2009.
Para ajudar nessa tarefa, a Caixa colocou quatro de seus principais executivos no conselho de administração do banco pertencente ao Grupo Silvio Santos após a descoberta do rombo contábil de R$ 2,5 bilhão no Panamericano.
O analista da Lopes & Filho Consultoria João Augusto Salles lembra que, além do setor imobiliário, a Caixa tem um papel importante no financiamento à infraestrutura, mais especificamente no saneamento básico. "A infraestrutura vai continuar como bandeira do governo."
De acordo com Salles, a Caixa tinha uma atuação menor na pessoa física em relação ao BB. Por essa razão, deve ser menos atingida pelas medidas do BC para conter o crédito de longo prazo - o financiamento imobiliário não sofreu restrições.
Minha Casa, Minha Vida
Financiamento à habitação representa 60% da carteira de crédito total da Caixa de um milhão de unidades habitacionais no programa federal "Minha Casa, Minha Vida". Até o dia 31, foram contabilizadas as contratações de 1.003.214 moradias. No entanto, não foi informado quantas unidades foram de fato entregues.
Segundo a instituição financeira, as contratações de crédito no programa somam R$ 52,98 bilhões. Para chegar à meta, o governo inaugurou nos últimos dias de 2010 uma série de empreendimentos habitacionais.
Concluída essa primeira etapa, terá início em 2011 o "Minha Casa, Minha Vida 2". Estão previstas nessa segunda fase a construção de dois milhões de unidades habitacionais.
Já o Banco do Brasil (BB), que também é um dos agentes do programa habitacional, informou que realizou no ano passado cerca de 12 mil contratos de unidades habitacionais, mas que um pequeno volume de recursos foi liberado. A expectativa é que até o ano que vem a carteira de crédito referente ao "Minha Casa, Minha Vida" no BB chegue

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Como funcionará o cartão aluguel da CEF, uma nova modalidade de fiança

O Globo, 02/jan

Recém-lançado pela Caixa Econômica Federal (CEF), o Cartão aluguel chegará ao mercado com a promessa de substituir as demais modalidades de fiança. Hoje, as mais comuns, segundo o Secovi Rio, são o fiador, o depósito, e o seguro-fiança que, apesar de ter registrado um forte crescimento, ainda pesa no bolso. Por ano, o locatário desembolsa, em média, o valor referente a um aluguel e meio.
O inquilino que optar pelo cartão pagará uma anuidade de R$96 (a ser quitada em 12 prestações de R$8) mais taxa de manutenção de 6,67% ao mês. Assim, quem tem contrato de mil reais, pagará R$1.067 mensais, o que, ao fim de um ano, representará um encargo de R$804. Ou seja, a taxa de manutenção anual valerá 80% de um aluguel mensal. Isso, sem contar a anuidade, que, tendo valor fixo, pesará mais no bolso dos inquilinos com contratos de valores mais baixos.
Renda mínima exigida será de mil reais
O cartão será oferecido nas bandeiras MasterCard e Visa, na modalidade internacional. Além de oferecer a linha de aluguel, ele funcionará como um cartão de crédito comum, podendo ser utilizado para a realização de compras em estabelecimentos comerciais. Dessa forma, o cartão terá dois limites independentes: o limite aluguel e o limite rotativo.
A renda mínima exigida será de mil reais, e não será possível efetuar saques utilizando o valor disponível para o aluguel. O cliente poderá optar entre três datas de vencimento: 6, 18 e 26.
Segundo o vice-presidente de pessoa física da Caixa, Fábio Lenza, a proposta do novo cartão é propiciar mais agilidade e modernizar o processo de locação. Os critérios para análise de crédito, diz, serão os mesmos já adotados para a aprovação do cartão de crédito. Hoje, segundo o Secovi Rio, o Índice de Velocidade de Locação (que mede o período médio que os imóveis demoram para ser alugados) é de 38 dias.
- - A ideia é oferecer segurança e agilidade à operação, a um custo competitivo. Será como comprar, por exemplo, uma TV em 12 vezes. Ao usar o cartão pela primeira vez, as parcelas seguintes constarão automaticamente das próximas faturas - explica.
A expectativa do banco é de que o novo produto já esteja disponível em todo país a partir do mês que vem. Por enquanto, o projeto piloto ficará restrito a quatro imobiliárias, de São Paulo e de Goiás.
- Hoje, quatro mil empresas já atuam como correspondentes imobiliários do banco, ou seja, são "miniagências" que, provavelmente, também oferecerão o produto. Dessa forma, esperamos vender cerca de 100 mil cartões já a partir de seu lançamento nacional. E chegar a um milhão em cinco anos - diz o vice da Caixa.
Ideia pode ser seguida por outros bancos
Para o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi Rio), Pedro Wähmann, a novidade é bem-vinda num mercado onde a procura por locação aumenta a todo vapor.
- - A ideia de se criar uma nova garantia é muito saudável. Hoje, com a estabilização da economia, há muito mais gente com condições financeiras de alugar um imóvel. E muitos ainda esbarram em exigências que não conseguem cumprir, como achar, por exemplo um fiador que tenha mais de um imóvel. É claro que ainda é cedo para atestar a funcionalidade do cartão, mas acredito que, com o tempo, serão feitos ajustes - afirma Wähmann, para quem a iniciativa da CEF deverá ser seguida por outros bancos.

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