quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

'Déficit de moradia acaba até 2017'

O Estado de São Paulo, FIABCI Brasil Informa, 11/jan

Em recente mesa-redonda na Fiabci/Brasil, sob o tema "Incorporação e Construção Imobiliária - Tendências para 2011", o diretor da "Odebrecht Realizações Imobiliárias", Paulo Melo, disse enxergar que o déficit atual de cerca de 8 milhões de moradias pode ser resolvido no Brasil até 2017. Sua palestra versou sobre perspectivas para 2011 no segmento de incorporação e construção. Meio lembrou que o déficit habitacional vem caindo rapidamente, em especial no Nordeste e no Sudeste, "graças às políticas afirmativas do Governo Lula", e deve cair mais ainda, pois a nova presidente, Dilma Rousseff, já acenou que manterá esse viés. A seguir, resumo de sua palestra.
"Há espaço para o setor imobiliário crescer em velocidade superior à do restante da economia, atingindo 7% do PIB em 2020. Em 2007, o investimento em moradias era de 165 bilhões de reais. Acreditamos atingir 324 bilhões em 2020 e 446 bilhões em 2030. Quanto ao crédito imobiliário, há uns três anos ele era de apenas 1,3% do PIB, já superou isso há algum tempo, e deveremos atingir cerca 6% do PIB em 2030. Alguns pontos positivos:
1 - Pela primeira vez, o Brasil conta com população em sua maioria composta por adultos jovens, em idade de formar famílias e comprar imóveis; 2 - Deve continuar o período de crescimento econômico iniciado em 2003, que, além de proporcionar aumento da renda, fomentando a demanda, cria condições para forte expansão do crédito e do investimento imobiliários; e 3 - Deve se consolidar a tendência de urbanização do País: em poucas décadas, mais de 90% de nossa população estarão concentrados nas cidades.
Obviamente, em 2011, deveremos ter ainda crescimento da taxa de juros, mas, no longo prazo, acreditamos que ela cairá, quando então os ativos imobiliários passarão a ser competitivos em relação a outros investimentos. Teremos também aumento do preço dos ativos imobiliários, dadas a maior liquidez financeira e a limitação natural de oferta de terrenos.
O compromisso com o meio ambiente é inadiável. Teremos a década da sustentabilidade, com intensificação da agenda "desenvolvimento vs meio ambiente". Algo que vai precisar ser enfrentado pela sociedade como um todo, dada a escassez de recursos como energia, água etc. As aprovações vão ser cada vez mais restritivas e com maior grau de atuação dos órgãos competentes.
O cenário é de novas demandas por infraestrutura urbana e de aumento da pressão por serviços públicos e investimentos via parcerias público-privadas. E aprovações vão ser cada vez mais restritivas e com maior grau de atuação dos órgãos competentes. E de desafios como não ficar atrás os avanços tecnológicos e superar a carência de mão de obra, principalmente a especializada. Teremos também maior grau de exigência e de consciência do adquirente: o item cliente vai demandar atenção cada vez mais intensa, sobretudo na questão ambiental.
E devemos considerar, ainda, como dado altamente positivo, os pontos catalisadores de grandes investimentos em infraestrutura como a Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016, o pré-sal etc. Há que considerar, também, os vários projetos de revitalização urbana em perspectiva. Tudo isso induz à demanda por moradias e por ativos imobiliários, e nos deixa otimistas em relação a 2011."

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