terça-feira, 11 de janeiro de 2011

IGP-M perde força e sobe 0,42%, metade do índice de dezembro

O Estado de São Paulo, Alessandra Saraiva, 11/jan

A inflação medida pela primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) perdeu força e subiu 0,42% em janeiro, quase a metade da taxa de 0,83% apurada em igual prévia em dezembro do ano passado.
Foi o menor resultado para o indicador em seis meses, beneficiado por commodities mais baratas no atacado, segundo informou ontem o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.
Mesmo com o recuo do indicador, usado para reajustar preços de aluguel, analistas alertam que janeiro contará com aumentos expressivos na inflação do varejo. O primeiro mês do ano abrange, historicamente, reajustes em preços administrados, como tarifas de ônibus; e problemas climáticos que prejudicam a oferta de alimentos, elevando preços.
O cenário de commodities mais baratas derrubou a inflação atacadista, que representa 60% do total do IGP-M, e recuou de 0,97% para 0,47% de dezembro para janeiro. Entre os exemplos citados pelo especialista da fundação estão bovinos (de 0,90% para -2,12%); e soja em grão (de 1,96% para 1,47%). "Essa desaceleração de preços de commodities já era meio esperada pelo mercado", disse Quadros, lembrando que os preços desse tipo de produto oscilam muito.
O bom comportamento nos preços das commodities não se restringiu apenas ao setor agropecuário. O setor industrial atacadista também contou com fortes desacelerações de preços, originadas das commodities, de acordo com Quadros.
Entre os destaques está o comportamento de materiais para manufatura, que fornecem insumos para a indústria e cuja variação de preços recuou de 1,97% para 0,34%, beneficiada por quedas de preços em produtos como celulose (1,98%).
O cenário de inflação mais fraca nos preços agropecuários atacadistas ajudou a conter o avanço de preços dos alimentos no varejo. A inflação percebida pelo consumidor, que representa 30% do IGP-M, desacelerou de 0,69% para 0,41% de dezembro para janeiro. Isso porque os preços de alimentação subiram menos, da primeira prévia de dezembro para igual prévia em janeiro (de 1,43% para 0,64%), principalmente por causa de repasses de quedas e desacelerações de preços em commodities agropecuárias atacadistas.
Já os preços na construção civil, que representam 10% do IGP-M, aceleraram de dezembro para janeiro (de 0,28% para 0,62%), por causa da mão de obra mais cara no período.
Juros. Para os analistas da consultoria Tendências, Thiago Curado e André Sacconato, janeiro será de inflação elevada no varejo, com alimentos mais caros e reajustes em tarifas de ônibus urbano e em mensalidades escolares. Já o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, acredita que a inflação mais pressionada no varejo deve prosseguir até o fim de fevereiro.
Campos Neto foi além e comentou que, por causa dos sinais de demanda ainda aquecida e das incertezas sobre a capacidade do novo governo de limitar o ritmo de gastos públicos, o Banco Central deve aumentar a taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Balanço do índice
0,42% foi o IGP-M em janeiro
0,83% foi o IGP-M em dezembro
60% dos preços do IGP-M são compostos por itens do atacado
0,47% foi o reajuste das commodities em janeiro, ante 0,97% em dezembro

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