Valor Econômico, 17/dez
O crédito imobiliário, no Brasil, está amparado nos recursos da poupança. O que, até agora, garantiu taxas baratas e subsidiadas tem data certa para acabar. Os cálculos para que a fonte se esgote variam entre 2012 a 2014, mas, independentemente da data, o fato é que a preocupação de todo o setor é grande. A própria Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), calcula para 2013 o fim dos recursos subsidiados.
O volume de poupança cresce a uma taxa de 22% ao ano, enquanto o crédito imobiliário avança a uma taxa média de 35% ao ano - este ano, no entanto, o crescimento estimado pela Abecip é de 50% para os financiamentos. "O nosso desafio é pensar novas fontes para atender a esse mercado", diz Inês Magalhães, secretária de habitação do Ministério das Cidades.
Esse é um problema que preocupa no médio prazo, segundo a secretária. "Durante o próximo governo, os recursos da poupança e do FGTS ainda serão suficientes para atender a demanda", diz. Para o setor financeiro, porém, o o dinheiro acabará antes. Relatório da Ativa Corretora comentando a expansão de 50% na concessão de crédito imobiliário com recursos da poupança avalia que o crescimento não é sustentável, dado o atual ritmo de captação da poupança. Em outubro, três relatórios sobre o setor imobiliário - do Santander, do Barclays e do Crédit Suisse - apontavam a questão da escassez da fonte de recursos, ao lado da capacidade de execução e entrega das obras no prazo, como os principais problemas de curto prazo do setor.
Entre as saídas, explica a secretária de habitação, o Ministério da Fazenda estuda formas de estimular o mercado secundário, a securitização do crédito, além de aproximar o mercado imobiliário dos fundos de pensão. Outra questão a ser trabalhada, segundo Inês, é o desenvolvimento de um mercado de seguros para os investimentos imobiliários.
Na última Conferência do Global Real Estate Institute, que reuniu em São Paulo, em novembro, investidores de várias partes do mundo e diferentes agentes do setor imobiliário, a questão do fim dos recursos da poupança esteve presente em vários debates. A Abecip, os bancos, a indústria da securitização e as próprias construtoras estão avaliando possíveis saídas e devem levar uma proposta para o governo. A dúvida não é se haverá uma nova saída, porque há disposição do governo em resolver a questão, mas quanto ela pode custar. "Já estamos atrasados nessa questão e dela depende a sustentabilidade do crescimento do mercado imobiliário", disse no evento Antonio Barbosa, diretor do HSBC.(S.M. e D.D.)
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